sexta-feira, 10 de maio de 2013

Um sonho, sozinho

 Do alto dos meus sonhos, eu pude ver a ilusão
 Sentindo-me sozinho nessa mentira imensa
 Quis parar tudo, e perder meu coração
 Quis fingir não ser simplesmente alguém que pensa.


 O ser humano que corre do perigo, é covarde
 Vemos aquele que assume a responsabilidade ser o herói
 Talvez, para o herói já seja tarde
 Agora, é o próprio tempo que se corrói.

 Eu só sou um ser que existe
 A verdade da vida, talvez seja a morte
 Serei então, alguém mais triste
 Rezarei, para ser companheiro da sorte. 


 A cada dia irei morrer
 E procurar descansar
 Depois, vou renascer
 E então, voltar a sonhar. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Passado, presente, saudades e nada mais

 Eu caminhei por trilhas perfeitas da imperfeição
 Conheci visões diferentes da cegueira 

 Pisoteei a dor enquanto doíam meus pés  
 Perdi infelizmente minha velha felicidade. 

 Batem as badaladas da hora certa 
 Ainda temos a oportunidade de voltar no tempo 
 E ver tudo passar de novo sem novidade nenhuma
 Sem que possamos tocar o futuro. 

 Sem problemas, conheci a cumplicidade
 Que em lágrimas chorava em meu colo, feliz 
 Sentindo saudades dos tempos em que o corpo colava
 Notando o caminho do passado se fechar. 

 Meus olhos veem também um terceiro que sofre
 No meu coração não caberia mais ninguém 
 Minha aura libera felicidade  
 Mas ela tem que sentir um amor incontrolável. 

 Sinto aqui uma brisa, um olhar profundo, que seca minha alma
 Vem de lá um abraço errôneo, porem quente
 E deste lado alguém me foge os braços, eu enxergo 
 Vivo vendo coisas bonitas, onde os ventos parecem estar mortos.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Proposta irresistível

 Levantam-se as enxadas
 O trabalho logo vai começar
 Novamente sobre o sol forte
 Os grandes homens vão fazendo a sua sorte
 Dizem eles que não sabem de futuro
 Que passado já honrou
 Hoje mesmo o rei é ele
 Aquele que estudou.

 Pobre o homem que leva consigo a ilusão
 De uma vida perfeita por debaixo dessas asas
 Asas essas que são frágeis ao toque
 O toque da razão
 Todo conhecimento tem um preço
 É o preço da felicidade
 Quem honrou no passado, hoje, não está mais na idade

 Lutamos por motivos que foram deles
 Eles que lutaram para tentar explicar
 Formaram cálculos e provaram fatos
 Mas a ninguém, conseguiram derrubar
 Falo-lhes com a simples palavra
 De um velho trabalhador infeliz
 O preço está nas vitrines
 Só compra quem não se sente feliz.

 Devo dar ênfase
 Ao fato de que eu errei no início
 Quem conheceu não quis conhecer
 Esse rio de sangue e lágrimas
 Que todos ousam em insistir em dizer
 Ser a nossa única conquista
 Que ninguém levaria
 Não levam, de fato, aquilo que já demos de entrada
 Para comprar a longo prazo, de vida toda
 A nossa infelicidade.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O velho sábio e suas inacreditáveis histórias IV

Um sonho e dois sonhadores
Morpheus aparece pela primeira vez.



 Era um dia terrível, complicadíssimo dia de chuva, o céu desabará naquela cidade, lá em cima tudo completamente escuro, dando até a impressão de que o amanhã não viria, que o mundo entraria em um repleto caos a noite, logo antes se perguntavam todos, que noite? Era ainda dia, antes do almoço quando veio a terrível chuva.
 Zenobi caminhava tranquilo pela cidade que já suportava água até além dos limites, estava alagando tudo, mas ainda raso, e notou um grupo de crianças brincando na chuva, ainda que fosse chuva, era um bom momento para contar uma história.
 Então, Zenobi se juntou aos meninos, e eles logo que avistaram começaram a sorrir e gritar de felicidade:
 - É ele, é ele! Ele veio nos contar uma história! - Dizia um deles, Zenobi sorriu, e colocando a mão na cabeça do menor, procurou um muro baixo e subiu em cima, colocou as mãos em um dos colares e olhou aos céus. A chuva cessou. Os meninos olhavam impressionados.

 - É bons amigos, estava eu, em casa, esperando que Kastas voltasse de um passeio de carro com seus pais, ansioso para vê-lo, afinal, não era todo dia que nos encontrávamos, e então recebi a notícia de que " Estava Kastas voltando desse passeio e no meio da rodovia aconteceu um acidente, um carro repentinamente virou e por azar acertou o carro de meu amigo, fiquei realmente preocupado, pela velocidade com que o carro estava, deveriam ter morrido todos. Mas não, Kastas estava vivo, fiquei feliz, era meu amigo.
 Apesar de ficar vivo, Kastas foi para a UTI e ficou em coma por algum tempo, eu me lembro que ia visitá-lo de dois em dois dias.
 Ficava sentado ao lado da sua cama, triste, abalado, chocado, solitário, sozinho, magoado, indignado, e sentia que meu peito parecia estar se rasgando. Seu pai e mãe morreram no acidente, pois o carro que bateu pegou os dois da frente e praticamente arrancou-os, enquanto isso Kastas que estava atrás fora arremessado muito a frente, mas graças a algo, não morreu.
 Eu sempre soube que Kastas era o homem mais sonhador do mundo, por isso, se fosse eu naquela cama, ele não desistiria.
 Eu não desisti. 

 Fiquei ao seu lado. 
 Passaram-se 10 anos. 
 E Kastas dormia." 
 - Foi terrível, foram 10 anos, parados na vida. Mas não me arrependo nem por 1 segun
o. d
 " Um dia, eu percebi que eu era como Kastas, eu parei minha vida por 10 anos por ele, e ele pararia por mim, eu sonhei que ele acordaria todos os dias, e ele sonhou em acordar também. E um dia, eu sonhei que estava sozinho, e Kastas... Kastas sonhou também... 
 Porém, um sonho, sonhado sozinho, é só um sonho...
 Mas quando sonhamos juntos, é um passo para a realidade.
 Eu estava lá a noite, ao lado de Kastas, que a essa altura já precisava fazer a barba novamente, eu sempre fiz para ele, mas naquela dia eu estava muito cansado, tinha chegado de um dia complicado de serviço, e deixei-me levar para o mundo dos sonhos, o dia lá fora estava escuro e chovia, mais do que qualquer outro dia, causava quase tempestade. 

 O som da chuva era tão alto que fazia o silêncio acontecer fora do quarto... Mas espera. A chuva não causa silêncio. Algo tinha feito tudo se calar lá fora, olhei a janela e... A chuva havia parado, não de cair e castigar a terra, mas parado. O tempo parou, olhei assustado para Kastas, e nada. Olhei para a porta, estava entre-aberta, e algo entrou. 
 Uma mão, branca, como de um morto, os dedos magros e ossudos seguidos por uma unha grande e preta de podre, curvada, seguram na porta. Logo depois, o braço adentrou, pude notar um manto negro velho, e então algo se abaixou e entrou, o cabelo completamente bagunçado, porem liso, sua pele branca me deu uma sensação de sufocamento, de perca de ar, de estar sem espaço, me sentia preso, estavam segurando meu corpo, queria sair dali, estar na presença dele era terrível, me sentia morto, mas obrigado a enxergar aquele ser andando na minha direção, a chuva voltou, a porta estava fechada, mas ele estava dentro.
 E então eu entendi, era Morpheus, mas por que o sonho veio me visitar? " 
 - Por que ele te visitou? - Perguntou um dos garotos, o menor, sorri.
 - Porque naquele dia, Morpheus percebeu que sonhávamos juntos, e isso era perigoso, ele percebeu que estávamos sonhando, um com o outro, mas nos sentíamos sozinhos. E esse era o perigo, o mais depressivo do mundo, é também o mais sonhador. Morpheus veio aquele dia.

 " Ele me olhou, e então, colocou uma máscara em seu rosto, colocou sua mão sobre mim, e eu perdi novamente o ar, olhou para Kastas e quando me dei por conta, estava olhando cada vez mais perto para ele, 1 metro. Colado, olho no olho, dentro do olho, dentro do cérebro, dentro, no sonho. 
 Lá dentro tudo escuro. E eu vi Morpheus, ele olhava assustado para algo. 
 O sonho era o seguinte: 
 Uma roda gigante de fogo, em volta, furacões, e tempestades ácidas por cima, pessoas voando e queimando, sofrendo, chorando e morrendo, pessoas que ele amava, carros batendo, carros voando, tudo quebrando, Zenobi morto no chão, falava e pedia ajuda, sem alma, um espelho, um colar e no meio de tudo isso, Kastas chorava. 
 Morpheus mesmo dominando os sonhos, ficou parado. Zenobi correu, na verdade voou, carros iam bater nele, mas desviavam, a roda caiaria sobre ele, mas algo a manteve em pé, a tempestade não chegava nele. Um pó amarelo o rondava, e então Zenobi chegou até Kastas, ergueu a cabeça de seu amigo, e lhe deu um abraço como nunca antes tinha dado. 
 Sonho sorriu. 
 Kastas acordou.
 Zenobi estava dormindo de olho aberto, enquanto chorava. 
 Kastas chamou Zenobi e ele acordou também, os dois se abraçaram, e mais uma vez, choraram juntos, pois eram amigos, e estavamos felizes um com o outro." 
 - E foi assim que aconteceu, meu primeiro encontro com sonho, aprendi que, um sonho, sonhado sozinho, é só um sonho. E tomem cuidado, o mais sonhador do mundo, é também o mais triste, sejam sempre amigos uns dos outros. - Em meio a aplausos, Zenobi se levantou e mais uma vez, foi embora.

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 Mais depressivo, mais sonhador, conheço alguém assim.
 E lembrem-se, um sonho, sonhado sozinho, é só um sonho.
 Um sonho, sonhado juntos, é um passo para a realidade


sábado, 5 de janeiro de 2013

O velho sábio e suas inacreditáveis histórias III

Kastas, O gênio


 Desta vez quem se propunha a escutar velhas histórias era um tal velho, quase que nem Zenobi, a aparência de Zenobi era incomum, cabe a imaginação de cada dar um destaque. Quem era aquele homem velho? De que lugar ele vinha? Zenobi o encontrará na praia, olhando para o mar, sentado com o rosto no joelho.
 Zenobi coloca sua mão por cima do ombro do velho e senta ao seu lado:
 - É a sua despedida desse lugar não é, meu querido ano-velho? Alguém já tomou o seu lugar.
 E o lugar era lindo como sempre, a areia da praia amarela clarinha, de uma cor que se lembrava ser intocável, e as águas daquele mar misterioso, eram de cor azul celeste e não transparente, era um mar que tinha fim, era uma praia que nunca começava. E olhando para o horizonte, Zenobi começou mais uma história. 

 " Aquele dia em diante, eu e Kastas ficamos sempre juntos, e por incrível que pareça, algo mágico aconteceu, e eu nunca mais resolvi sair de perto dele, porque ele me fazia bem. Kastas me falava de uma coisa muito interessante, me falava sobre a amizade. Mas Kastas não era normal, a amizade que ele criou tinha requisitos e regras, e era difícil ser amigo dele, mas de acordo com ele mesmo, uma das regras da amizade:
 - Amigos não se fazem, amigos se encontram, você é destinado a ser amigo de alguém - Sempre repetia ele.
 Eu particularmente achava lindo, mas só, era difícil vivenciar aquilo."

- Eu achei difícil no começo... 
 " Presenciei aquilo tudo um certo dia, quando junto com outros 2 garotos, fomos nadar em um uma cachoeira, e eu resolvi que subiria lá em cima, mesmo com Kastas dizendo que não era certo, Kastas não sabia nadar, resolveu que ficaria de fora só olhando, e mesmo de fora, sabia que daria risada.
 Pedra por pedra escalei aquela cachoeira, era difícil, e a cada passo sentia um frio na espinha, olhava para o alto e via aquilo interminável, era uma cachoeira em meio a uma floresta grande, mas com trilhas, eu adorava a vista dali de cima.
 Mas o que eu não contava, era com a minha incapacidade de firmar os pés em uma rocha molhada.
 E eu ri, enquanto senti o meu corpo deslizar lá para baixo, eu iria cair na água e provavelmente iria bater a cabeça em uma pedra, talvez eu morresse.
 E vi tudo passar rápido, todas as árvores e até a água chegou rápido.
 Eu cai na água e provavelmente bati sim a cabeça lá me baixo, mas não me vi desacordado antes de ver Kastas, mesmo não sabendo nadar em baixo da água puxando meu braço."
 - Eu sei que ele não sabia nadar. 
 " Acordei na casa de Kastas, era um quarto grande, cheio de video-games e coisas do tipo, ele tinha vários posters de bandas de rock e coisas do tipo, eu estava sobre a sua cama de casal, com a cabeça enfaixada, Kastas havia salvado minha vida e provavelmente me levado até o seu quarto.
 Achei magnifico. "

 - Você sabe o que é um gênio, meu senhor? - Mas ninguém respondeu. - Gênio para mim, é aquele que tem uma ideia em mãos e a executa com uma maestria nunca antes vista. 
 " Levantei-me ainda tonto, sentei na cama e olhei para o criado-mudo de seu quarto, e lá, encontrei algo familiar. O espelho de Mephisto, quebrado.
 Peguei-o na mão, admirei-o, e senti que naquele momento, algo falou comigo, era uma voz dentro da minha cabeça que dizia:
 ' Pague o preço necessário e escolha por salvar a vida de alguém que outrora foi perdido. E veja então, o seu rosto no espelho como contrato feito '
 Cerrei os olhos contra o espelho. Pagar o preço pela vida de alguém? Quem disse aquilo? Eu mesmo?
 Suei frio, olhei para os lados, ninguém.
 Era eu mesmo, olhei novamente para o espelho:
 ' Zenobi, alguém te espera, e o preço foi pago, a tua alma pela dele '
 E então, mais um frio na espinha, vi meu irmão no reflexo do espelho quebrado.
 Olhei fundo, gritei seu nome, e então, senti minhas mãos fraquejarem, olhei-as, estavam necrosando, olhei meus braços, estavam ficando fracos, meu rosto no espelho, nem era mais visto. "
- Eu perderia minha alma para Mephisto. Mas eu tinha alguém comigo, Kastas, o gênio. 
 " Alguém segurou a minha mão. E a mão que ele havia segurado recuperara a cor e a força, um colar foi posto em meu pescoço. 
 - Fé Zenobi! Só a fé de que eu estou com você vai te salvar, eu doo minha alma por você, porque você é meu amigo!
 E então, uma luz se fez no espelho. Algo me dizia novamente que tinhamos vencido Mephisto. Meu amigo doou metade da tua alma, e eu metade da minha, meu irmão foi visto no reflexo.
 Eu não via nenhuma alteração no meu corpo, e nem Kastas no dele.
 Sobrevivemos. Kastas era um gênio por ter falado de amizade, por ser amigo.
 Nos abraçamos e eu chorei durante alguns minutos. "

 - E foi então que eu conheci o gênio e a sua ideia, amizade. Mestre das amizades, o amigo, o gênio. - E então Zenobi observava o homem velho ir embora, andando em direção ao mar, talvez ele tivesse alguém para ver. Zenobi sorriu, e segurou com mais força o colar em seu pescoço. 

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...
Amizade.  

domingo, 30 de dezembro de 2012

O velho sábio e suas inacreditáveis histórias II

Kastas, O amigo.



 Mais algum tempo havia se passado, talvez dias, talvez meses, talvez anos, ou apenas algumas horas, e o sol voltava a reinar nos céus, forte e imponente, era um dia quente, tão quente que as sombras que abrangiam a escuridão estavam ferventes, o velho já estava de fato que acordado antes mesmo que o sol viesse dominar.
 Arrumara a trouxinha de utensílios e fora caminhar por entre o campo tendo como meta final uma grande árvore perto da cidade, o velho se vestia com uma velha camisa que o mesmo rasgou as mangas de forma a deixar a camisa em formato regata, uma velha calça de moletom de uma cor cinza e botas antigas, sabe-se lá de quando eram. Nas suas orelhas ele trazia dois brincos de um lado e um do outro, e um colar no peito, com um aliança como simbolo do infinito. 

 O seu caminhar era de fato lento, pois era realmente velho, ninguém nunca perguntou a sua idade, mas o nome interessava, ele se chamava Zenobi, ou não, não saberiam dizer na realidade. Os passos eram firmes, porem mancava descaradamente de uma perna, da esquerda, a qual sofreu um dia um acidente no joelho, mas essa inacreditável história, ainda será lembrada. 
 Caminhava por entre o capim alto, por entre a trilha de terra, passou do lado da praia e por alguns minutos, admirou o mar, o lindo mar que ele sempre amou, e a areia, de uma cor leve amarela, quase intocável. O mar aquele dia estava calmo, as ondas eram pequenas, mas quebravam com fúria sobre a beira da areia. Ninguém visitava aquela praia, o que dava a ela um tom mais mistico, o por que? Essa inacreditável história ainda será lembrada.
 Ao retomar a caminhada, Zenobi se lembrou de Morpheus, e da noite passada, Morpheus havia pedido para o velho em um sonho, que lhe desse a luz da noite, que mostrasse ao mestre dos sonhos ( o próprio sonho ) o que era sonhar. Mas Zenobi era um velho humilde.
 E então logo se avistava a enorme árvore, a quem ele chamava durante uma fase da vida de Yggdrasil, a árvore da vida, até porque ela fez parte de metade da sua vida, e essa inacreditável história será lembrada também.
 Lá, um pequeno grupo de pessoas esperavam algo, o velho chega, põe a sua trouxa de utensílios sobre o chão, acaricia o carvalho, material do qual a árvore é composta, e só então, olhou para todas as pessoas, em destaque para uma mulher, que segurava um bebê, bebê esse que estava encoberto por panos os quais tampavam seu provável lindo rosto.
- Vocês vieram, como todo o ano... Obrigado, até me sinto, alguém que é importante - Brincou o velho, e todos riram, menos a misteriosa mulher que segurava o bebê, Zenobi estranhou.
 E após as risadas que descontraiam o cenário, Zenobi fechou novamente a expressão, como se tivesse realmente algo sério a dizer. Coçou a sua barba enorme e então começou: 

" E mais uma vez, eu venho como todo o ano contar uma história a vocês. Eu realmente não sei porque essas histórias são contadas, se vocês precisam saber ou eu preciso contar, mas, logo após a morte de meu irmão, muita coisa aconteceu, casos de polícia e outras coisas mais, e passaram-se anos e anos. E a esperança de que um dia ele voltaria realmente como um herói nunca morreu dentro de mim. O que eu guardei de recordação dele? Uma camisa, com um 'S' no peito, uma camisa de que ele adorava muito usar. O resto nós doamos, eu sempre me sentia sozinho quando olhava para as roupas dele. Meu pai e minha mãe brigaram muito, mas de fato, eu não me importava.
 Morei em uma vila de respeito, onde muitas crianças brincavam e cada uma fazia seu nome ser um destaque um dia mais. Mas eu preferia não me envolver, a morte do meu irmão foi triste demais, e gostar de alguém, seria muito difícil para mim. Mas um dia, eu estava sentado na minha calçada, naquela enorme rua reta de asfalto, olhando para cada árvore de cada casa que eram exatamente iguais, diferentes apenas nas cores, e notei que alguns meninos que aparentavam ter a minha idade me cercaram. Estranhei o fato.

Mas alguns deles me olhavam com rostos gentis, outros, não. 
 Um deles me esticou a mão, olhei fundo nos olhos daquele garoto. Ele certamente tinha a minha idade, tinha olhos castanhos escuros e um cabelo liso castanho na altura dos ombros, corpo atlético. Lhe dei a mão e mal sabia, lhe dei também confiança. Ele se apresentou:
- Sou Kastas. E viemos te convidar para ver um duelo, o meu duelo com o Mephisto. O menino que quer me tomar o posto de líder da rua. Qual seu nome? - Me surpreendi, quer dizer que ali, a rua tinha um líder?
- Sou Zenobi. - Respondi - Por que veio até mim?
- Quero que fiques ao meu lado, e torças por mim, afinal, eu sou o mocinho da história, Mephisto não é nada bonzinho com quem perde - Foi a gota d'água para mim. Mocinho é? Então ele era um herói? Assistiria ao seu lado.
 Segui com os meninos, e notei que a aposta que levaria a decisão do líder da rua, era um item de mais valioso de cada participante. Kastas apostou um colar com uma cruz, dizia ele ter sido do pai dele. Mephisto apostou um espelho que não mostrava o reflexo. Todos acharam estranho e não aceitaram, mas a confiança de Kastas era enorme. Ele não se importou com o que era, sabia que ia vencer. Por esse motivo, dei um passo a frente, retirei a camisa do meu irmão e a coloquei em disputa.
- Valioso para mim. - Foi somente isso, de maneira ogra, me sentia envergonhado.
 Me olharam com olhares duvidosos, mas deixaram eu participar. A rua era longa, e parecia não ter fim, Kastas suava frio, eu, já achava que tinha perdido, mas confiei no mocinho, e Mephisto... Seu olho brilhava" 

- Se tem algo que eu aprendi nesse dia, é que nunca se pode vencer o diabo em uma disputa de jogos...
" E então começamos a correr, eu larguei na frente, disparei, via o vulto das árvores ao meu lado, via o vulto das pessoas, via o vulto de tudo, o problema era esse, não era normal ver vultos. Era algo estranho a se pensar. Kastas foi em seguida e tomou a frente, corria como nunca, atlético, mas cansou rapido como nunca antes tinha acontecido. Mephisto foi, e não parou. Iria vencer.
 Eu me desesperei, não queria perder a camisa do meu irmão, ele levaria parte de mim com ele. Fechei os olhos e corri, corri como nunca, e por alguns segundos, eu venci o Mephistopheles. Eu venci ele em uma disputa.
 Mas ele não podia ser vencido. Me olhou, e eu simplesmente caí.
 Kastas passou por mim, estava quase no final, e aproveitando a distração dos dois concorrentes, ele poderia ter ganho. Poderia... Ao me ver cair, Kastas parou bruscamente, invocando um freio que o seu joelho não tinha, ignorou a dor e me deu a mão, ainda em tempo de perguntar:
- Você está bem Zenobi?
 Estiquei a mão a ele, e acenei com a cabeça que sim, já me conformando de que tinhamos perdido. "

- Mas algo estranho aconteceu... - Zenobi então, andou até a árvore e lá encontrou seu nome riscado com uma navalha na época, e o nome de Kastas na frente. - Não se vence o diabo em um jogo. Mas vencemos o diabo com o coração. Ali eu percebi que eu encontrei um amigo.

" Mephisto parou, e não se moveu mais até o fim, em tempo de que Kastas corresse e me vencesse em uma disputa limpa.
 Fiquei feliz.

 Mephisto nos deu as costas e foi embora.
 Kastas ergueu o espelho e o seu colar, e fez questão de me devolver a camisa. Fiquei ainda mais feliz. Dali para frente, nos demos muito bem. " 

 Assim que Zenobi terminara a história, notou que algumas pessoas sorriam, menos a mulher misteriosa, caminhou até ela em silêncio. E a cena se dividiu em duas. A realidade, e a verdade. Que naquele momento foram diferentes.
 Na cena real, Zenobi acenou a todos, agradeceu e foi embora, prometendo voltar nos próximos anos.
 Na cena verdadeira, Zenobi caminhou até a mulher, esticou a mão para o bebê, ela sem demoras entregou, ele, pegando o bebê nos braços, retirou o pano de seu rosto, e notou ali, o bebê mais lindo que já vira na sua vida, aquele era o bebê mais luminoso e magnifico que já tinha encontrado.
- Vá meu querido ano-novo, cresça, cresça e leve para todas as pessoas que conseguir, um pouco de bondade e amizade. - E então entregou a criança até a mulher. Se virou e realmente foi embora. 


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Esqueci de me dizer.
São histórias inacreditáveis.
O primeiro texto. Do herói, é em homenagem ao meu irmão, meu herói.
E este é à meu amigo. Kastas... Tentará ser como você foi na minha imaginação amigo. Obrigado!

E feliz ano novo a todos! Que tenham amigos, e que esse seja um ano de boas ações. Até porque, a vida cobra. 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Serás lembrado

 

Para ser lembrado de que não foi esquecido,
 E terás a certeza de que nada se modificou, 
 Serão ajustados os pensamentos, 
 E serás lembrado de que não foi esquecido.

 Cansado de culpa,
 Justamente sentindo a falta de um abraço do silêncio,
 Esqueceram das guerras,
 E me deixaram aqui, tocando o nada. 

 Lendo histórias que não tem fim, 
 Vendo o próprio fim das próprias histórias, 
 Relembrando os velhos momentos de felicidade, 
 E tendo a antiga esperança no vazio.

 Vazio, 
 Me sinto cheio, 
 Cheio de que? 
 Sinto a falta das velhas histórias e dos velhos tempos.